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A
ineficácia da diplomacia americana e a consolidação
do direito internacional.
Uma reflexão das relações internacionais da
era digital
Parte
I
Rodolfo
Milhomem
Aluno do Curso de Direito da Universidade Católica de Goiás
O discípulo
andava pela floresta iluminada, viva, integrada, admirava aquilo
tudo e pensava como o mundo estava distante da harmonia e do amor.
Via com preocupação a fragilidade das relações
entre os estados no órbita mundial, e refletia sempre nas
formas pacíficas de solução dos conflitos internacionais,
ouvia sempre o mestre falar sobre essas coisas, que o interessava
muito.
Ao ver o Mestre
se aproximando, lembrou de uma pergunta que o atormentava ha muito
tempo, talvez ele pudesse ajudar, ou dar alguma luz.
Mestre, preciso
lhe perguntar, porque a humanidade é tão injusta,
tão distante dos valores que fazem parte de sua própria
essência, Mestre, qual o futuro das relações
internacionais?
Meu discípulo,
sua pergunta é feita ha séculos, e ainda é
tocada pelas vozes humanas, a história pode nos responder,
mas somente uma parte, pois o futuro a ninguém pertence,
mas o presente é a dádiva, por isso se chama presente,
nossas reflexões devem ser feitas agora, para que o futuro
nos pertença.
Mas a razão
dessas injustiças são fincadas na historia humana,
retornemos a um general falando para seus soldados......
AVANTE SOLDADO!!!!
Mate o quanto
você puder, se morrer, morra com honra, leve muitos com você,
morra com orgulho, em nome da pátria, de seu país,
por uma abstração jurídica compreendida dentro
de um território.
Quantos, Quantos
você matou hoje???
Mesmo que seus
inimigos sejam como vocês, sofram dos mesmos desejos e angústias,
tenham famílias e filhos, sejam humanos, seres da mais pura
beleza infinita, síntese de todo o universo.
Vamos, onde está sua arma, me obedeçam seus porcos,
vocês são animais, respiram seu eu quiser, falam seu
eu deixar, e se matam quando eu ordenar.
Ë assim,
como a humanidade se comporta há séculos, edificada
no militarismo inútil, no homicídio que é apenas
uma estatística, mesmo em pleno século XXI, após
as constituições liberais, após as grandes
guerras, após a consolidação dos direitos humanos,
após a carta de São Francisco, e após um conselho
de segurança, a barbárie volta a tona e o culto ao
militarismo ganha destaque.
O Direito Internacional
se encontra muito abalado, vivemos um momento onde a diplomacia
fracassou, todas as tentativas de solução pacíficas
de conflitos se findaram, a maquina de guerra se moveu, matou, e
agora vem recolher os dólares frutos da pilhagem.
Os Estados Unidos,
Reino Unido, Espanha, e outros países auto intitulados força
de coalizão declararam uma guerra, sem o aval do Conselho
de Segurança da ONU, contra a opinião mundial, e contra
as pessoas de todas as nacionalidades.
A estruturas
tremeram e neste exato momento o mundo se pergunta, os governantes
lutam, as pessoas assistem atônitas a atual conjuntura internacional,
e chegam a uma conclusão simples: nunca na historia humana,
o mundo se achou tão integrado, como as relações
internacionais, entre os Estados, entre as pessoas se deu de uma
maneira tão clara, o Ius Gentium moderno.
Mas com essa
decisão unilateral, a ONU sai muito desequilibrada, sem credibilidade,
e provando que o sistema de segurança mundial é muito
frágil, apesar do Conselho de Segurança (mesmo não
sendo um sistema representativo da opinião mundial) conter
um certo equilíbrio.
Os membros permanentes
são os vencedores da 2ª guerra mundial, países
com os maiores poderios bélicos, e entre eles há,
de maneira geral e "atual" um certo consenso, os grandes,
através do Conselho, conseguem limitar de uma certa forma,
a unipolaridade da política internacional.
Na medida em
que há uma divisão interna entre os membros permanentes,
entre as grandes potências mundiais, as relações
internacionais se transformam em um campo minado, perigoso, há
choque de interesses, que não foram resolvidos dentro do
âmbito das Nações Unidas e nem do Tratado do
Atlântico Norte.
A ONU perde
sua forca em todos os seus setores, pelo fato de que seus órgãos
principais, secretariado geral, Assembléia Geral, Conselho
de Segurança, Conselho de Tutela, Conselho Econômico
e Social, e suas agencias especializadas, como a OMC, Unesco, Unicef,
OIT, e até seu órgão jurisdicional, a Corte
Internacional de Justiça, terem sua substância supranacional
abalada.
A Carta de São
Francisco (1945), convencionada logo após a segunda grande
guerra, antes da rendição alemã e finalizada
antes da capitulação japonesa, influenciada pelo contexto
de paz e pela divisão dos espólios da guerra entre
os vencedores, serviu de base para o a consolidação
do direito internacional, longe de ser um órgão acima
dos Estados soberanos, mas um ser autônomo, na qual sua personalidade
jurídica internacional foi delegada pelos Estados que ratificaram
a carta.
Mas apesar da
ONU ser a materialização de uma consciência
internacional, capaz de resolver litígios, disputas, buscar
a paz, ajudar a diminuir a pobreza mundial, lutar pela prevalência
dos direitos humanos, cultuar a educação, a cultura
e o bem estar mundial, defender as crianças e dirimir sobre
questões de segurança coletiva mundial, serve também,
em uma analise mais profunda, como um pano de fundo de um sistema
de dominação.
Muitas vezes
opera fortemente sobre influencia americana, seus principais órgãos,
a Assembléia Geral e o Conselho de Segurança, ficam
em solo americano, New York, times-square, manhatam, ou seja, os
órgãos de decisão mundial ficam localizados
na grande potência.
Podemos vislumbrar
como a conjuntura mundial é controlada por um imperialismo,
no âmbito econômico, militar, social, geo-politico,
inclusive espacial, mascarado sobre uma sensação falsa
de liberdade e democracia, sustentado por um sistema de dominação,
onde há a clara distinção entre as leis internacionais
ideais, e as leis reais. Somos explorados mas não vemos,
somos pisoteados e não sentimos, somos enganados e rimos
de nossas desgraças, é neste pilar que reside a eficácia
da diplomacia americana durante todo o século XX, e é
isso que sustenta a grande nação.
A demagogia
americana, inspirada no elevados padrões lingüísticos
e ideológicos, servindo da repetição maçante
(na qual faz parte da montagem psicológica praticada pela
Cia e o pentágono) da palavra LIBERDADE, vocábulo
esse que soa como musica clássica em nossos ouvidos, palavra
que traduz os anseios da natureza humana, fincada na essência,
que nos toca profundamente.
A eficaz política
externa americana tem sua base existencial nessa palavra, que durante
todo o século passado, justificou as ambições
imperialistas. Foram eles que livraram o mundo da ameaça
nazista, lutaram pela liberdade na Coréia e no Vietnã,
em Cuba e agora lutam pela liberdade do povo iraquiano.
Se meu irmão
ou minha família no Iraque ou na Palestina, ou em qualquer
lugar deste mundo, morre, a minha verdadeira também morre,
e se um pais ataca um pais sem nenhuma legitimação,
poderão atacar a qualquer um, sem nenhum tipo de sanção.
Mas a luta não
é pela liberdade, mas sim pela escravidão, o Império
Romano Moderno montou um aparato legal, ideológico, político,
psicológico, econômico e militar capaz de transformar
uma águia em galinha, praticando uma espécie de assalto
''legal'', muito semelhante a PAX romana, porque ninguém
no mundo tem a coragem de chamar os americanos de lacaios dominadores.
Ë nessa
eficácia diplomática, que os Estados Unidos montaram
uma rede de dominação, que perdura a quase um século,
e neste exato momento vem para se reafirmar no plano internacional,
mas o que notamos é a ineficácia da demagogia americana,
de sua diplomacia e poder de convencimento na justificativa para
a guerra.
O mundo atual,
que conhece a Convenção dos Direitos Humanos, as Nações
Unidas, uma Corte Internacional de Justiça, que já
passou por milhares de guerras, bebeu sangue, viveu o horror e o
sofrimento, tem no seu inconsciente coletivo o desejo de paz, e
de que a guerra não é benéfica para a humanidade,
nós, cidadãos do sistema solar, do planeta azul, não
mais aceitamos decisões unilaterais, o mundo atual não
comporta tais arbítrios e é neste sentimento fraternal,
materializado em todo o mundo, que o Direito Internacional ganha
forca.
O mundo pós-moderno
tem a necessidade cada vez maior de normatizações
internacionais que assegurem os direitos fundamentais, que busquem
as soluções pacificas de conflitos, que respeitem
a auto- determinação dos povos e que na sua essência,
o principio da igualdade dos Estados, seja consolidado.
Estamos em plena
adolescência tecnológica, e vimos como a ciência
e o racionalismo não nos trouxe a tão sonhada felicidade,
não conseguiram responder perguntas simples como "o
que nos somos"?
Essa fase do
capitalismo mundial, caracterizada pela flexibilidade de todos os
setores psicossociais, garantidora dos ''novos'' fatores de produção,
de redesenho das políticas internacionais e na tentativa
de transformar um ato unilateral em Direito, montado em uma nova
roupagem estrutural de dominação, jogando no lixo
uma outra que não serve mais aos interesses de uma nação
parasita, prostitua do capital bilionário de mega-corporações,
demonstra o ponto de clímax que atravessamos.
O mundo precisa
despertar para o espiritualismo não institucionalizado, para
o culto a filosofia, a criatividade, para uma construção
de uma nova ética, verdadeira razão, que respeite
a dignidade humana, aliada a tecnologia. É nesse sentido
que pelas perspectivas atuais, a gradual consolidação
do Direito Internacional se Dará, culminando no verdadeiro
Direito das Gentes (Jus Gentium), tão aclamado pelos jus-naturalistas.
O mestre dos
tempos atuais não é aquele fechado em utopias alienantes,
ou hermeticamente contra a modernidade. A tecnologia e a economia
podem sim nos trazer harmonia e crescimento, e a construção
de uma sociedade internacional justa é o caminho que a humanidade
deve traçar, pois a universalidade do ''ser'', está
em sua essência.
O discípulo
após ouvir as palavras do mestre entrou em profunda reflexão,
pois esse é o objetivo final das palavras, como sempre ele
repetia, o verdadeiro mestre é aquele cuja presença
nos faz lembrar de nossa própria grandeza, e entrar em contato
com ela.
Assim, o discípulo
voltava-se para sua floresta, para a sua observação
dos fenômenos, refletindo sobre as palavras que lhe acabaram
de ser ditas...
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